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Música e Esperança

A Cidade · Comunidade · Patrimônio

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A música sempre fez parte da história de Rio Espera, mas para mim ela também faz parte de uma história de família. Ao olhar estas fotografias, não vejo apenas bandas, instrumentos ou acontecimentos da cidade. Vejo pessoas da minha própria história, lembranças da infância e uma paixão pela música que começou muito cedo e que, de alguma forma, atravessou gerações.

Música, família e memória

Meu avô, Caetano Antunes Nogueira, filho de José Dias Nogueira e Dona Zica, tocava requinta na banda de música de Rio Espera. Em uma das antigas fotografias, ele aparece entre os músicos, participando de uma tradição que marcou profundamente a vida cultural da cidade.

Muitos anos depois, eu também faria parte dessa história.

Ainda muito jovem, comecei a aprender música em Rio Espera. Lembro-me do salão paroquial cheio no primeiro dia de aula, com muitos jovens interessados em aprender. Para vários de nós, aquele era o primeiro contato verdadeiro com um instrumento e com a leitura musical.

O Sr. Geraldo havia sido contratado para ensinar música e encontrou diante dele uma turma numerosa. Com o passar das semanas, alguns desistiram, outros continuaram, e aos poucos começamos a formar uma nova geração de músicos da cidade.

Eu fui um dos que permaneceram.

Ronaldo Oliveira tocando com a banda de música de Rio Espera em 1987
Ronaldo Oliveira, ainda jovem, tocando com a banda de música de Rio Espera. Para mim, esta não é apenas uma fotografia antiga. É o registro de uma paixão pela música que já fazia parte da minha vida desde muito cedo.

Duas gerações ligadas pela música

Existe algo especialmente significativo em poder olhar uma fotografia de meu avô Caetano tocando requinta e, em outra época, encontrar a mim mesmo também entre os músicos.

Essa ligação com a música também fez parte da vida de minha irmã, Ana Maria Nogueira Oliveira, que tocava clarineta. Nós dois fomos membros da Banda Santa Cecília de Rio Espera, compartilhando ensaios, apresentações e uma parte importante de nossa juventude.

Não sei até que ponto, quando criança, eu compreendia essa ligação. Hoje ela se torna muito mais clara. A música que fez parte da vida de meu avô também encontrou espaço na minha vida e na de minha irmã.

Caetano Antunes Nogueira tocando requinta na banda de música de Rio Espera
Caetano Antunes Nogueira, meu avô, tocando requinta. A presença dele nesta fotografia transforma a imagem em muito mais do que um documento musical: ela também é parte da minha história familiar.

1995 — Encontro da Família Nogueira

Essa ligação entre música e genealogia aparece novamente em 1995, durante o Encontro da Família Nogueira.

A banda participou da celebração, reunindo em um mesmo acontecimento duas partes fundamentais da memória preservada pelo RioEspera.com: a história das famílias e a tradição musical da cidade.

Banda de música durante o Encontro da Família Nogueira em 1995
Encontro da Família Nogueira — 1995. A banda durante a celebração do encontro da família. A fotografia registra não apenas músicos, mas também um momento de reunião, pertencimento e memória familiar.
Banda de música durante o Encontro da Família Nogueira em 1995
Ronaldo Oliveira e Ana Maria Nogueira Oliveira.Irmãos e integrantes da Banda Santa Cecília de Rio Espera: Ronaldo ao bombardino e Ana Maria à clarineta.

Uma geração que continuou tocando

As aulas, os ensaios e as apresentações acabaram formando muito mais do que músicos. Criaram amizades e experiências que ficaram marcadas na memória de quem participou.

Tocamos em festas religiosas, comemorações e apresentações em outras cidades. Houve viagens para localidades como Alto Rio Doce, Glória, Lafaiete e Carandaí. Para um grupo de jovens, entrar em um ônibus com os instrumentos e sair para tocar em outra cidade era uma experiência inesquecível.

A música também estava presente nos momentos mais importantes da comunidade — nas festas, nas procissões, nas comemorações e até nos momentos de despedida.

Corporação Musical Santa Cecília

Essa continuidade encontrou uma de suas expressões na Corporação Musical Santa Cecília, mantendo viva uma tradição construída por diferentes gerações de músicos de Rio Espera.

Banda Santa Cecília de Rio Espera — 1987. Apresentação da peça Festa em Campagna, sob a regência do maestro Geraldo Macedo.
Corporação Musical Santa Cecília de Rio Espera
Corporação Musical Santa Cecília. A continuidade de uma tradição musical construída por diferentes gerações de rioesperenses.
A música é uma das formas pelas quais a memória atravessa gerações.

Mais do que fotografias

Hoje, ao reunir essas imagens, percebo que elas contam uma história muito maior do que eu imaginava na época.

Meu avô aparece tocando requinta. Décadas depois, eu apareço também como músico. Em outras fotografias, a banda participa do Encontro da Família Nogueira. Música, genealogia, família e memória acabam se encontrando em uma mesma história.

É justamente esse tipo de ligação que o RioEspera.com procura preservar. Uma fotografia pode começar como o registro de uma banda, mas quando descobrimos quem são aquelas pessoas, quando foi tirada, qual era a ocasião e como elas se relacionavam, ela passa a contar muito mais.

Você reconhece alguém nestas fotografias?

Sabe a data, o local ou a ocasião de alguma delas? Participou da banda ou do Encontro da Família Nogueira? Tem alguma lembrança relacionada a esses momentos?

Entre em contato com o RioEspera.com. Cada nome, data e lembrança ajuda a completar esta história.